Resumo:
RESUMO: A Hanseníase permanece como uma doença infecciosa com transmissãoativa no Brasil, em especial nas regiões Norte e Nordeste, onde os índicesde notificação ainda indicam situação hiperendêmica. Diante disso, esteestudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico da hanseníaseno estado do Piauí entre os anos de 2020 e 2024. Partiu-se da seguintequestão-problema: quais características clínicas e sociodemográficaspredominam nos casos de hanseníase notificados no estado do Piauídurante o período analisado, e como essas informações contribuem paraavaliar a efetividade das ações de vigilância? A escolha do tema justifica-se pela permanência da hanseníase como agravo de relevância pública,pelo impacto das desigualdades sociais na distribuição da doença e pela necessidade de produzir subsídios que fortaleçam políticas regionais decontrole. Metodologicamente, trata-se de um estudo epidemiológico,quantitativo, ecológico, com base em dados secundários obtidos por meiodo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS),analisando-se variáveis como sexo, idade, raça/cor, classificaçãooperacional, grau de incapacidade física e detecção em menores de 15anos. Os resultados indicaram predomínio de casos do sexo masculino,autodeclarados pardos, com alta proporção de casos multibacilares ediagnóstico tardio. Constatou-se ainda a persistência de notificações emmenores de 15 anos, revelando falhas no rastreamento de contatos e nainterrupção da cadeia de transmissão. Conclui-se que a hanseníase noPiauí apresenta um padrão associado a determinantes sociais eestruturais, exigindo estratégias intersetoriais que fortaleçam a vigilânciaepidemiológica, o diagnóstico precoce e a formação contínua das equipesde atenção primária. Palavras-chave: Hanseníase. Epidemiologia. Saúde pública. Desigualdade social. Sistema Único de Saúde.